“Cordel Encantado” a novela das 18h da Rede Globo, veio relamente para marcar. Com elenco de primeira, figurino e locações impecáveis o folhetim das autoras Thelma Guedese Duca Rachid tem marcado média de 24 pontos de audiência com picos de 29, um bom índice para o horário. O sucesso se dá pelas grandes atuações, como de Ana Cecília Costa, que entre uma gravação e outra arrumou um tempo na agenda para conversar com o TE CONTEI. A baiana falou sobre a grande responsabilidade social que sua personagem tem na trama, o próximo filme que tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2011, além do mestrado que está prestes a terminar.

Desde fevereiro morando no Rio de Janeiro por conta da novela, Ana Cecília atualmente vive a personagem Virtuosa Bezerra, a mãe dedicada de Açucena (Bianca Bin) e Cícero (Miguel Rômulo). A atriz conta que sua personagem é amorosa e vive para amparar os filhos, uma história totalmente diferente de Leda, onde viveu em “Cama de Gato”, de 2010. “O bacana porque era um personagem totalmente diferente do que estou fazendo agora. A Leda era uma mãe perversa, bipolar, malvada. Uma fotógrafa que morava fora. A filha era a Guta Gonçalves, uma menina que usava cabelo vermelho. Ela humilhava a filha, chamava ela de gorda. Uma personagem terrível”, recorda.

Já em “Cordel”, Ana vive o desafio de encarar uma personagem sertaneja. “É uma mulher simples, totalmente devotada à família. Representa uma mãe. Apesar da Açucena ser uma filha adotiva, ela tem um sentimento maternal totalmente aflorado pela menina, assim como pelo Cícero. Virtuosa representa essa herança cultural que a gente tem do Brasil, de várias mulheres, mãaes brasileiras, pessoas honestas, trabalhadoras, que criam os filhos de uma maneira muito ética, correta. É também uma pessoa muito devota a Deus”, detalha.

Açucena (Bianca Bin) e Dona Virtuosa Bezerra (Ana Cecília Costa) (TV Globo)

A atriz diz que Virtuosa é um papel de grande responsabilidade social já que passa na televisão, o maior veículo de massa. “As pessoas assistem às novelas, mas muitas não vão ao cinema e teatro. Estou fazendo o retrato de uma mãe brasileira, claro que em um tempo antigo, no espaço do sertão. No entanto, mostra a origem de muitas mulheres que tiveram aquelas mães, avós. Acho que as pessoas mais velhas se identificam com a Virtuosa, porque a personagem traz muito os valores antigos de família”, ressalta.

Baiana, ela revela que precisou focar em um sotaque de Pernambuco por conta de um pedido da direção. “Tive que arriscar o sotaque. Sou baiana, mas já fiz vários outros personagens que não tinham sotaque. Até poderia puxar o sotaque para a Bahia, que facilitaria minha vida, mas havia um pedido da direção para fazer um sotaque mais inspirado em Pernambuco”.

Mesmo com toda uma temática envolvendo a trama, Dona Virtuosa e Ana Cecília não são totalmente diferentes. “Claro que sou uma pessoa que vivo num grande centro, moro em São Paulo, viajo muito para fora do país e tenho outra formação cultural. Mas acho que minha herança como brasileira vai parar na Dona Virtuosa. É uma personagem que representa as bisavós, dentre, as quais, minha a minha própria”, fala, com orgulho.

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Ana é formada em cinema e hoje tenta concluir o mestrado. “Tenho uma pesquisa sobre documentário em primeira pessoa. Ou seja, quando a pessoa está contando sua própria história. Um tipo de documentário bem comum hoje em dia”. Por falar em cinema, ela também estará nas telonas em meados de setembro com o longa-metragem “Capitães de Areia”, com direção de Cecília Amado, neta de Jorge Amado, um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de de todos os tempos.

Na trama, uma adaptação da Bahia dos anos 1950, Ana Cecília será Dalva, uma prostituta que se relaciona com um menino de rua de apenas 16 anos. “Vai contar a história dos meninos de Salvador. As aventuras e o despertar dos meninos como homens”, revela. Apesar do rapaz se apaixonar por uma mulher mais madura, a história retrata o amor entre os dois. “É um filme lindo, porque vai contar uma história de amor, apenas em épocas e situações diferentes, como a noite boêmia da Bahia”, adianta.

Solteira e sem filhos, Ana volta para São Paulo assim que a novela terminar. A atriz está focada no trabalho e já conta com alguns projetos. “Tenho projetos para o teatro, mas são coisas que ainda estão no papel”.

Matéria feita para o Te Contei.