Festival do Rio: ‘Eu Matei Minha Mãe’ mostra simbiose entre mãe e filho

Festival do Rio: ‘Eu Matei Minha Mãe’ mostra simbiose entre mãe e filho

Você já amou alguém a ponto de odiá-la? O primeiro filme canadense de Xavier Dolan, de 19 anos, que interpreta o próprio adolescente homossexual de 16 anos, mostra exatamente isto: o amor descontrolado entre filho e mãe. Pode até parecer que eles se odeiam, mas no fundo, um não vive sem o outro.

Hubert no auge de sua adolescência não agüenta mais ficar em casa, tudo em sua mãe o irrita: o jeito de falar, de se vestir e até mesmo o de comer e limpar os dedos na boca. Por outro lado, sua mãe, uma mulher de meia idade, divorciada, que criou o filho sozinha desde os 7 anos quando se separou e que não conhece a vida do próprio filho, é manipuladora e ao mesmo cheia de culpa. O telespectador a essa altura indaga-se de quem é a culpa por essa simbiose: do filho por ser rebelde ou pela mãe que não soube educa-lo?

Quando Hubert finalmente acha que vai sair de casa e morar com seu namorado Antonin o pior acontece: seu pai, com quem não fala há quatro meses reaparece, e junto com sua mãe, mandam o rapaz para um colégio interno. Seu ódio por ela só aumenta. Os diálogos tornam-se mais intensos e com mais xingamentos. Confuso, ele vaga por uma adolescência ao mesmo tempo marginal e típica, repleta de descobertas artísticas, experiências ilícitas, amizades e sexo.

O telespectador pode até achar graça dos diálogos e de algumas cenas em que Hubert imagina sua mãe em um caixão, por exemplo. No entanto, muitos até se vêem em certas situações. Quem nunca odiou a mãe, nem que fosse em pensamento por um segundo? Você pode falar mal de sua mãe, mas se alguém falar ou fizer mal a ela, com certeza, você será o primeiro a matá-la, não

Eu Matei Minha Mãe (J’ai tué mère):
de Xavier Dolan, Canadá, 2009, 100 min.

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